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Afinal, de onde vem o câncer?

7 de agosto de 2024

Vamos discutir a seguir a definição de câncer, saber a origem da palavra e como ele surge, tentando explicar com uma linguagem simples onde o principal objetivo é ter uma noção básica sobre esta doença muito prevalente e que acomete milhares de pessoas. Além disso, falaremos um pouco sobre seu diagnóstico e os tratamentos mais importantes.

1. O que é o câncer?


Câncer é o nome dado a uma transformação maligna de uma célula normal para uma célula com material genético modificado. O comportamento desordenado e anormal desta nova célula é o que confere a ela este nome.


O nome câncer tem origem grega, na palavra Karkinos que significa caranguejo. Segundo os relatos históricos, observadores gregos assemelharam o tumor com seus vasos sanguíneos exuberantes as patas de um caranguejo e passaram a chama-lo desta maneira. A mesma palavra foi traduzida do latim como câncer a qual utilizamos no dia de hoje.


Nossas células estão em constante reprodução, desde o nosso nascimento até nossa morte. Nosso material genético se replica, principalmente, para renovar nossas células e manter o funcionamento do nosso corpo. Em algumas fases desta replicação pode ocorrer o que chamamos de “erro genético”, tecnicamente chamado de mutação.


Quanto mais nossas células se replicam, maior a chance de ter uma mutação. Por este motivo pessoas idosas têm maior propensão ao câncer, uma vez que seu material genético já foi replicado muitas vezes se comparado as pessoas mais novas.

Este erro pode ser reparado por meio de mecanismos de defesa internos, entretanto, quando temos alguma deficiência de defesa ou quando não conseguimos alterar este erro, pode se desenvolver uma “célula maligna” que seria basicamente esta nova célula carregando uma alteração genética. Podemos dizer que esta é a origem do câncer. 


A partir da mutação a célula perde a sua “harmonia”. Ela começa a se replicar infinitamente e crescer desgovernadamente no local onde nasceu, podendo invadir outras células normais que estão próximas e também se espalhar para outros órgãos. 

A célula cancerosa tem um comportamento totalmente diferente das nossas células normais, ela demanda mais energia e se replica muito mais rápido. Assim, com o crescimento destas células no local onde tudo começou, forma-se o que chamamos de tumor maligno.


A célula cancerosa se multiplica infinitamente e de uma maneira muito mais rápida que nossas células normais. Múltiplas células malignas são formadas e isso demanda muita energia e nutrientes do nosso corpo. Por isso é muito comum pessoas com câncer emagrecerem rapidamente. O crescimento desgovernado faz com que as células praticamente dominem nosso corpo, elas se espalham e crescem em outros locais levando o indivíduo aos mais diversos sintomas possíveis.


Nossa maior missão sempre é tentar vencer essa guerra contra as células malignas, e várias coisas vão influenciar o tratamento da doença, principalmente o seu estadiamento. Quanto mais inicial for descoberto maiores as nossas chances. Portanto é muito importante sempre procurarmos um médico quando algum sintoma ou sinal diferente é percebido. Assim como também devemos realizar as medidas de prevenção para diminuir as chances de termos um câncer no futuro.


2. O câncer só ocorre em pessoas idosas?


Praticamente 80% dos casos de câncer acontecem de maneira esporádica, isso quer dizer que ocorreu uma mutação genética na célula devido a um erro que não foi reparado e ela se tornou maligna, dando origem a um câncer. Este tipo de ocorrência esporádica é mais comum na medida que as pessoas envelhecem.


Em cerca de 20% dos casos, a origem do câncer pode ter algum gene herdado de família que causará uma predisposição a desenvolver células malignas. Nestes casos podemos chamar de câncer hereditário e geralmente ocorrem em idade mais nova. Por exemplo, a mutação do gene p53 fazendo com que ele não atue é um fator de risco para desenvolver vários tipos de câncer. Pessoas que possuem esta alteração genética podem ter herdado de outros familiares de primeiro grau e também podem transmitir este mesmo material genético aos seus filhos. Portadores de mutação do gene p53 possuem uma síndrome chamada Li Fraumeni que está relacionada ao desenvolvimento de câncer em idade adulto-jovem.


O gene p53 é uma das nossas armas genéticas que nos protege de mutações. Ele é chamado de gene supressor tumoral, ou seja, ele é responsável por identificar células que sofreram mutações durante sua replicação e reparar este erro, levando aquela célula a morte e evitando o seu desenvolvimento. Logo, quando temos a inativação deste gene existirá uma chance maior de que mutações não sejam reparadas e surjam assim células malignas que se tornaram um câncer.


3. Por que ocorre uma mutação?


Nossas células possuem um tempo de vida programado e de tempos em tempos, a depender do tipo celular, e a partir do seu material genético, elas criam novas réplicas para continuar o funcionamento do nosso corpo. Este processo chamamos de replicação celular e ele acontece principalmente a partir do nosso material genético. Nosso gene tem a capacidade de criar cópias através do DNA celular. Este processo acontece a todo momento e durante toda nossa vida.


A replicação genética pode sofrer alterações, mudando a sua essência e se tornando diferente da célula normal. A essas alterações damos o nome de mutação, as quais muitas vezes vão culminar no desenvolvimento de uma célula maligna. Entretanto, nem sempre que ocorrer um erro genético esta célula vai virar um câncer. Nosso corpo tem muitas formas de combater esses erros, são os chamados genes de reparo, os quais identificam o erro e induzem esta célula a morte. Um exemplo de gene de reparo é o gene p53 o qual descrevemos acima.


Mesmo com nossos genes de reparo, podemos ter “falhas” tanto por déficit de genes de reparo, quanto por aumento de mutações o suficiente para que alguma não consiga ser “eliminada” e se desenvolva, o que pode levar ao desenvolvimento do câncer.


Sabemos que a exposição a fatores de risco pode aumentar as mutações. Por exemplo, o cigarro contém milhares de substâncias que são cancerígenas. A exposição a radiação é fator de risco para mutações. Infecções bacterianas e virais como o H pylori e vírus HPV também são fatores de risco para desenvolver o câncer.


Portanto, devemos diminuir a exposição aos fatores de risco conhecidos para diminuir a chance de desenvolver um câncer no futuro.


4. O câncer em números


O câncer é uma doença global, incidente em todos os povos no mundo. Mas existem particularidades de cada continente e peculiaridades inclusive quando separamos por região. Por exemplo, no Japão o câncer gástrico é muito mais prevalente do que nos países do ocidente. Outro exemplo que podemos citar é que na região Norte e Nordeste do Brasil o câncer do colo do útero é muito mais prevalente que nas outras regiões.


Segundo o INCA (Instituto nacional do câncer) existe uma estimativa de que no Brasil são esperados cerca de 704 mil casos novos de câncer por ano, no triênio 2023 a 2025.


Estima-se que a cada 5 pessoas, uma pode ter câncer durante a vida. Assim, é alta a possibilidade de termos que encarar esta doença em algum momento da vida, portanto sempre devemos criar medidas para prevenção e diagnostico precoce, o que reduz a mortalidade da doença e atinge um maior número de cura.


No Brasil o câncer mais comum é o de pele não melanoma com cerca de 31,3% dos casos (cerca de 220 mil casos por ano), representando quase um terço dos casos. Devido a esta alta prevalência, é comum desconsiderarmos seus números quando fazemos as estatísticas dos demais tipos de câncer.



Veja abaixo os tipos de câncer mais frequentes esperados para 2023 no Brasil, separados por sexo, excluindo o câncer de pele não melanoma:


Fonte: INCA https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros/estimativa/estado-capital/brasil



5. Todo câncer é igual?


Cada tipo de câncer possui suas próprias características, e o seu comportamento vai depender de como ele se expressa. Algumas destas características são:


  • origem da célula, se veio de uma glândula, de uma camada muscular ou da camada mais interna (aqui é onde dizemos o nome e o sobrenome do câncer: adenocarcinoma gástrico – “adeno” remete a glândula; carcinoma significa célula maligna; gástrico refere a origem da glândula no estômago – logo este seria o nome de um câncer de estômago que surgiu de uma célula glandular).
  • velocidade de replicação das células malignas, quanto maior a velocidade, mais agressividade porque significa que cresce muito rápido.
  • o quanto as células se parecem ou não com o tecido normal (grau de diferenciação). Existem três tipos: bem diferenciado (conseguimos diferenciar bem as células de câncer das normais); pouco diferenciado (ainda conseguimos ver a divisão das células normais para as cancerosas, mas menos); indiferenciado (as células normais estão misturadas as células defeituosas e não existe uma arquitetura celular que possa distinguir umas das outros – geralmente são mais agressivos no comportamento)
  • se invadiu um vaso sanguíneo ou um nervo, esta invasão diz respeito ao risco de alguma célula cair no vaso sanguíneo e ir para outros lugares. Este mesmo comportamento também ocorre na invasão de nervos.


Portanto, devido as muitas características que cada tipo de câncer possui dizemos que nem sempre o seu comportamento será o mesmo comparado a outras pessoas. Podemos dizer que cada câncer é único. Apesar da sua história natural ser: crescer no local onde começou, invadir as estruturas vizinhas e se espalhar, esse comportamento depende de muitas características as quais comentamos acima. Cada caso tem que ser avaliado individualmente para projetarmos um tratamento individualizado e também conversar sobre o que podemos esperar (prognóstico) e riscos da doença.


6. Diagnóstico, como fazer?


A história clínica de como iniciou os sintomas e o que o paciente está sentindo é muito importante para desconfiar que podemos estar diante de um câncer. Os sintomas vão depender muito da localização da lesão e também de qual estágio está a doença. Um médico experiente e treinado pode muitas vezes facilmente desconfiar da existência de uma lesão maligna e solicitar alguns exames direcionados para confirmar esta hipótese.


Segue abaixo alguns dos principais sinais e sintomas de alerta para pensarmos que podemos estar diante de um câncer:


  • Anemia;
  • Perda de peso não intencional;
  • Dificuldade para se alimentar, vômitos recorrentes;
  • Aparecimento de um tumor ou massa palpável;
  • Sangramentos: digestivo (em vômitos ou nas evacuações), vaginal em menopausa e ao tossir (se sintomas respiratórios persistentes);
  • Mudança do hábito intestinal;
  • Lesão ou ferida da pele e boca presente há mais de 4 semanas, ou que está crescendo;
  • Nódulos (ínguas) no pescoço, axilas, virilhas que apareceram há mais de 2 semanas;


Após a suspeita, devemos solicitar alguns exames de imagem que podem nos dar mais informações sobre a localização e também detalhes de até onde vai a doença (o que tecnicamente chamamos de estadiamento clínico). Alguns exames que podem ser solicitados e que são mais comuns seriam:


  • Tomografia computadorizada
  • Ressonância magnética
  • PET scan
  • Marcadores tumorais nos exames de sangue
  • colonoscopia ou endoscopia (se suspeita de câncer gastrointestinal)


Além disso, um dos principais exames que podemos pedir já nesta fase ou na fase seguinte é a biópsia da lesão. Sem uma biópsia não podemos afirmar com 100% de certeza que é uma lesão maligna. Na maioria das vezes ela será necessária para indicar algum tratamento. Porém também existem exceções, como ocorre em alguns casos de câncer de pâncreas onde as vezes é difícil de realizar biópsias; ou até mesmo em lesões de pele que são suspeitas e que em vez de realizar biopsia partimos para a sua retirada com margens de segurança.


7. Quais são os tratamentos?


Basicamente existem 3 formas tradicionais de se tratar um câncer: cirurgia, quimioterapia e radioterapia. Dentro da quimioterapia podemos desmembrar em outros tratamentos que são:


  • quimioterapia com medicações endovenosas
  • terapia alvo (que age mais especificamente em células cancerosas e poupa células normais)
  • imunoterapia (medicações que agem na nossa imunidade para combater as células cancerosas)
  • Bloqueadores hormonais (usados em câncer estimulados por hormônios, por exemplo: câncer de mama)


A cirurgia é um dos pilares do tratamento e praticamente 80% dos pacientes oncológicos vão necessitar de algum tratamento cirúrgico em algum momento. O cirurgião oncológico é um dos médicos que cuida de pacientes com câncer e tem papel fundamental na cirurgia quando ela é indicada. Ele também é capaz de conduzir a investigação inicial e direcionar o paciente para o melhor tratamento. Sempre procure um médico que tenha formação e experiência para conduzir o seu caso

Dr Hugo Habdala Hammoud é cirurgião oncológico, atende em Campinas e no Vale do Paraíba, nas cidades de São José dos Campos e Taubaté, e realiza também consultas online. 


Se você precisa conversar sobre câncer entre em contato e agende uma consulta.

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Referências:

http://www.inca.gov.br


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Por Hugo Hammoud • 3 de dezembro de 2025
O Dezembro Laranja reforça a importância da atenção contínua à saúde da pele. A campanha alerta para os riscos da exposição solar sem proteção, educa sobre os sinais de alerta e destaca a necessidade do diagnóstico precoce na prevenção e no tratamento do câncer de pele. Entender como as lesões surgem e quando elas se tornam suspeitas é uma ferramenta essencial para reduzir complicações e aumentar as chances de cura. Câncer de pele: principais tipos e fatores de risco O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil, representando cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. Ele se divide em duas grandes categorias: melanoma e não melanoma. O melanoma é menos frequente, porém mais agressivo. Ele costuma se desenvolver a partir de pintas pré-existentes ou novas lesões, apresentando maior potencial de metástase. Já os tumores não melanoma, como o carcinoma basocelular e o espinocelular, são mais comuns e geralmente apresentam crescimento lento, embora também precisem de tratamento rápido. Os principais fatores de risco incluem exposição solar excessiva, histórico familiar, pele clara, queimaduras solares repetidas e uso inadequado de proteção solar ao longo da vida. Vale destacar que pessoas de pele negra também precisam se proteger, especialmente em áreas como palmas das mãos e plantas dos pés, onde o melanoma é mais comum nesse grupo. Sinais de alerta: como identificar lesões suspeitas na pele Identificar alterações precoces na pele é uma das formas mais eficazes de prevenir complicações. Alguns sinais devem ser observados com atenção: Pintas que mudam de cor, formato ou tamanho. Assimetria, bordas irregulares ou coloração variável. Manchas que escurecem rapidamente. Feridas que não cicatrizam após quatro semanas. Nódulos endurecidos, lesões que sangram espontaneamente ou coçam de forma persistente. Áreas inflamadas ou com aparência diferente do restante da pele. Uma "espinha" que não melhora ou não desaparece após semanas. A regra do ABCDE também é útil para orientar a observação de pintas: A ssimetria, B orda irregular, C or variável, D iâmetro maior que 6 mm e E volução (mudanças ao longo do tempo). Qualquer mudança progressiva é motivo para avaliação. Quando procurar um especialista: a importância do diagnóstico precoce Alguns sinais exigem consulta médica imediata. Lesões que crescem rapidamente, sangram, apresentam dor, coçam de forma contínua ou não cicatrizam merecem atenção. Pintas novas em adultos também devem ser avaliadas, especialmente quando mudam em pouco tempo. O diagnóstico precoce oferece taxas muito maiores de sucesso terapêutico. Identificar um tumor ainda pequeno permite tratamentos menos invasivos e aumenta consideravelmente a chance de cura. Por isso, é recomendado fazer consultas anuais com dermatologista, principalmente para quem já teve câncer de pele ou possui histórico familiar. Cirurgia no câncer de pele: indicações e procedimentos A cirurgia oncológica é o tratamento mais eficaz e indicado para a grande maioria dos casos de câncer de pele. Quando o diagnóstico é realizado precocemente, os índices de cura são superiores a 90%, especialmente nos tumores não melanoma. O procedimento visa a remoção completa do tumor com margens de segurança adequadas, fundamentais para minimizar o risco de recidiva e garantir o melhor prognóstico. Tipos de procedimentos cirúrgicos A escolha da técnica cirúrgica depende de diversos fatores: tipo histológico do tumor (carcinoma basocelular, espinocelular ou melanoma), localização anatômica, tamanho da lesão, profundidade de invasão e características individuais do paciente. Os principais procedimentos incluem: Excisão cirúrgica simples: É o procedimento mais realizado para tumores de pele bem delimitados. Consiste no uso de bisturi para remover a lesão e uma porção adicional de pele sadia como margem de segurança. O padrão é que esta borda tenha um centímetro em casos de carcinoma e dois centímetros para melanomas. Lesões pequenas e superficiais podem ser tratadas com anestesia local em ambiente ambulatorial, com alta no mesmo dia. Cirurgia micrográfica de Mohs (ou cirurgia com controle tridimensional de margens): Pode ser considerada a técnica mais precisa, efetiva e refinada para tratamento do carcinoma basocelular e espinocelular, pois avalia cem por cento das margens cirúrgicas durante a cirurgia. É especialmente indicada para tumores localizados no rosto, principalmente ao redor dos olhos, nariz, boca e orelhas, onde preservar tecido saudável é fundamental para o resultado estético e funcional. A técnica permite que a cirurgia se inicie com uma pequena margem de um a dois milímetros ao redor do tumor, preservando pele sadia e reduzindo a cicatriz. Durante o procedimento, a pele é removida em camadas muito finas e analisada imediatamente ao microscópio. Caso células tumorais sejam identificadas nas margens, nova camada é retirada precisamente na área afetada, até que o tumor seja completamente removido. A análise de cada camada leva aproximadamente 50 minutos, mas garante remoção completa com preservação máxima de tecido saudável. Excisão ampla com análise de margens por congelação: Para tumores maiores ou em locais de risco elevado de recidiva, pode ser realizada análise anatomopatológica durante o procedimento (exame de congelação). O fragmento retirado é avaliado por um patologista enquanto o paciente ainda está na sala cirúrgica, permitindo ampliação imediata das margens caso necessário. Isso garante que toda a área comprometida seja removida em um único tempo cirúrgico. Biópsia do linfonodo sentinela: O linfonodo sentinela representa o mais importante fator preditivo para pacientes nos estágios iniciais de melanoma. Em casos de melanoma com determinadas características de risco, pode ser indicada a pesquisa do linfonodo sentinela para verificar se houve disseminação microscópica da doença. O procedimento utiliza técnicas de mapeamento com corante azul patente e/ou marcador radioativo para identificar o primeiro linfonodo que drena a região do tumor. Quando positivo, pode ser necessária a dissecção completa dos linfonodos da região. Cirurgias reconstrutivas: Quando a remoção do tumor resulta em defeitos maiores, especialmente em áreas visíveis como o rosto, técnicas de reconstrução são empregadas para restaurar a forma e função. Isso pode incluir fechamento direto, enxertos de pele, retalhos locais ou retalhos mais complexos, sempre visando o melhor resultado estético possível sem comprometer a segurança oncológica. Como é o procedimento cirúrgico A complexidade do procedimento varia conforme cada caso. Lesões pequenas e bem localizadas podem ser operadas com anestesia local em consultório ou centro cirúrgico ambulatorial, com duração de 30 minutos a uma hora. O paciente retorna para casa no mesmo dia, com orientações sobre os cuidados pós-operatórios. Casos mais extensos, tumores em áreas de difícil acesso ou que necessitem reconstrução complexa podem requerer internação hospitalar, anestesia geral ou regional, e permanência de algumas horas a dias no hospital, dependendo da extensão do procedimento. Antes da cirurgia, são solicitados exames pré-operatórios adequados ao porte do procedimento e às condições clínicas do paciente. Medicamentos anticoagulantes ou antiplaquetários podem precisar de ajustes nos dias anteriores à cirurgia, sempre sob orientação médica. Margens de segurança: por que são tão importantes A margem de segurança é a quantidade de pele saudável removida ao redor da lesão visível. Ela é essencial porque o tumor pode ter células cancerígenas além dos limites aparentes a olho nu. A determinação da margem adequada considera o tipo histológico do tumor, sua espessura, localização e características de agressividade. Para carcinomas basocelulares e espinocelulares, margens entre 4 e 10 milímetros geralmente são suficientes, dependendo do caso. Para melanomas, as margens variam conforme a espessura do tumor (índice de Breslow), podendo ser de 5 milímetros a 2 centímetros. Em áreas nobres como o rosto, as margens podem ser menores quando associadas a técnicas de controle microscópico rigoroso. O exame anatomopatológico da peça cirúrgica confirma se as margens estão livres de doença. Quando margens comprometidas são identificadas, pode ser necessária uma segunda cirurgia para ampliação, reforçando a importância de um planejamento cirúrgico adequado desde o início. Tratamentos complementares Em casos selecionados, especialmente melanomas avançados ou carcinomas espinocelulares com características de alto risco, terapias adicionais podem ser associadas: Radioterapia adjuvante para reduzir risco de recidiva local Imunoterapia para melanomas em estágios avançados Terapias-alvo baseadas em mutações específicas do tumor Acompanhamento oncológico regular com exames de imagem para detecção precoce de recidivas Recuperação e cuidados pós-operatórios O processo de cicatrização varia conforme a extensão da cirurgia e características individuais de cada paciente. Os cuidados incluem manter a área limpa e protegida, evitar esforços físicos que possam tracionar a ferida nas primeiras semanas, e proteger a cicatriz da exposição solar por pelo menos seis meses. Retornos periódicos são fundamentais para avaliação da cicatrização e detecção precoce de possíveis recidivas. Pacientes que tiveram câncer de pele apresentam risco aumentado de desenvolver novos tumores, tornando o acompanhamento dermatológico e oncológico regular uma parte essencial do tratamento a longo prazo. A cicatriz final será resultado da combinação entre técnica cirúrgica adequada, características de cicatrização do paciente e cuidados pós-operatórios. Sempre que possível, as incisões são planejadas seguindo linhas naturais da pele para minimizar o impacto estético, mas o objetivo primordial é sempre garantir a cura oncológica completa. Prevenção e autocuidado: hábitos para proteger a pele no dia a dia A prevenção é a estratégia mais eficaz contra o câncer de pele. Alguns hábitos essenciais incluem: Uso diário de protetor solar com FPS 30 ou maior , mesmo em dias nublados. Para rosto e pescoço, a quantidade ideal equivale a meia colher de chá do produto. Reaplicação do filtro a cada duas horas , especialmente em exposição prolongada ou após entrar no mar ou piscina. Aplicar apenas uma vez não oferece proteção ao longo do dia. Roupas, acessórios e chapéus com proteção UV que protegem contra radiação solar. Na praia, prefira barracas de algodão ou lona, que absorvem até 50% da radiação ultravioleta, enquanto o nylon deixa passar 95% dos raios UV. Evitar exposição intensa entre 10h e 16h , período de maior intensidade dos raios solares. Proteção especial para quem trabalha ao ar livre : profissionais que ficam expostos ao sol durante o expediente precisam redobrar os cuidados, usando protetor solar mesmo durante o trabalho e reaplicando regularmente. Hidratação constante da pele , especialmente no verão, ajuda a manter a saúde cutânea. Autoexame regular da pele , observando pintas, manchas e feridas em todo o corpo, incluindo áreas menos visíveis como couro cabeludo, costas e plantas dos pés. Atenção com tatuagens : elas podem esconder lesões e dificultar a identificação de alterações na pele. Pacientes com muitas tatuagens devem fazer avaliações mais frequentes. Proteção dos lábios : muitas pessoas esquecem que os lábios também precisam de protetor solar, especialmente os lábios inferiores, mais expostos ao sol. Os danos causados pelo sol se acumulam ao longo da vida, por isso a proteção deve ser um hábito permanente, não apenas durante o verão ou em momentos de lazer. Educar a população sobre autocuidado e vigilância regular faz parte da proposta do Dezembro Laranja, oferecendo mais segurança e informação para decisões de saúde ao longo da vida. Dr. Hugo Hammoud: Referência em Cirurgia Oncológica em Campinas Com experiência no tratamento do câncer de pele, do aparelho digestivo (estômago, cólon e reto) e sarcomas, o Dr. Hugo Hammoud oferece um atendimento humanizado, utilizando técnicas cirúrgicas avançadas e personalizadas para cada paciente. Não deixe o medo te paralisar. Se você ou um ente querido recebeu um diagnóstico de câncer, agende uma consulta com o Dr. Hugo Hammoud e dê o primeiro passo rumo ao tratamento. WhatsApp: (12) 99711-2332
Por Hugo Hammoud • 8 de outubro de 2025
Por que precisamos falar também sobre tumores ginecológicos e colorretais? O Outubro Rosa é mundialmente reconhecido como o mês de conscientização sobre o câncer de mama. No entanto, reduzir a campanha a um único tumor pode limitar o alcance da prevenção feminina. Outros tipos de câncer, como os tumores ginecológicos (colo do útero e ovário) e o câncer colorretal, também afetam milhares de mulheres todos os anos no Brasil. O Dr. Hugo Hammoud, Cirurgião Oncológico em Campinas, defende que ampliar o debate do Outubro Rosa é essencial para proteger mais vidas e estimular o diagnóstico precoce em diferentes frentes da saúde da mulher. O câncer de colo do útero: prevenível e ainda letal Estima-se que o câncer de colo do útero seja o terceiro tumor mais incidente entre mulheres no Brasil, com cerca de 16 mil novos casos por ano (INCA, 2023). Ele está diretamente ligado à infecção persistente pelo vírus HPV, o que significa que é altamente prevenível com vacinação e exames regulares (Papanicolau). Quando detectado precocemente, tem altos índices de cura, mas a falta de rastreamento ainda gera muitos diagnósticos tardios. 👉 Outubro Rosa também deve ser um lembrete sobre a importância da vacina do HPV e do exame preventivo. O câncer de ovário: o inimigo silencioso Diferente do câncer de colo do útero, o câncer de ovário não possui exame de rastreio eficaz. Mais de 70% dos casos são diagnosticados em estágio avançado, quando o tratamento se torna mais complexo. Sintomas iniciais como inchaço abdominal, dor pélvica e alteração no apetite muitas vezes são confundidos com outras condições benignas. Por isso, informação e acompanhamento médico regular são fundamentais para não ignorar sinais aparentemente “comuns”. O câncer colorretal: uma ameaça crescente entre mulheres Embora muitas vezes associado ao público masculino, o câncer colorretal é hoje o segundo mais incidente entre mulheres no Brasil. A alimentação rica em carnes processadas, ultraprocessados e baixo consumo de fibras aumenta o risco da doença. A colonoscopia é um exame seguro e eficaz, capaz de diagnosticar e até remover lesões pré-cancerígenas. 🍎 Prevenção alimentar e rastreamento são armas poderosas para reduzir sua incidência. O papel do cirurgião oncológico em Campinas O Dr. Hugo Hammoud ressalta que o papel do cirurgião oncológico é olhar além da cirurgia. Ele atua na orientação preventiva, no diagnóstico precoce e em decisões personalizadas de tratamento, considerando não apenas o tumor, mas a vida e os valores de cada paciente. Ao ampliar o Outubro Rosa, reforça-se que a saúde da mulher é sistêmica e exige atenção integral. Caso queira saber mais, agende uma consulta com o Dr. Hugo Hammoud . Whatsapp: (12) 99711-2332.
20 de março de 2025
O câncer de pele é um dos tipos mais comuns de câncer, sendo causado principalmente pela exposição excessiva à radiação ultravioleta (UV) do sol. Seu tratamento varia de acordo com o tipo, estágio e localização da lesão. Entre as opções disponíveis, o tratamento cirúrgico é, de fato, o mais utilizado, mas não é a única abordagem. Carcinoma basocelular: O tipo mais comum O câncer de pele do tipo carcinoma basocelular é um dos mais frequentes no Brasil devido a dois fatores principais: a localização geográfica do país, que favorece a alta incidência de radiação ultravioleta, e a cultura de praia, que incentiva atividades ao ar livre. Além disso, muitos adultos entre 40 e 50 anos hoje fazem parte de uma geração que, na infância, foi amplamente exposta ao sol sem proteção adequada. O problema é que, a longo prazo, essa exposição excessiva à radiação UV causa mutações no DNA das células da pele, elevando o risco de desenvolvimento do câncer. Por ser um tumor composto por células basais, localizadas na camada mais profunda da epiderme, esse tipo de câncer cresce de maneira lenta. Suas lesões podem se parecer com verrugas, sangrar devido a pequenos traumas do dia a dia e, por isso, exigem avaliação médica. As regiões mais afetadas são a cabeça e o pescoço. Cirurgia: O padrão ouro no tratamento A cirurgia é o tratamento primário para a maioria dos casos de câncer de pele, especialmente para os tipos mais comuns, como o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular. O objetivo é remover completamente a lesão maligna, garantindo margens de segurança para reduzir o risco de recorrência. Alguns dos procedimentos cirúrgicos incluem: Excisão cirúrgica : remoção do tumor com uma margem de pele sadia ao redor. Cirurgia de Mohs : técnica que permite a remoção precisa do câncer, preservando ao máximo os tecidos saudáveis. Curetagem e eletrodissecação : usada para pequenos tumores superficiais, onde o tecido canceroso é raspado e tratado com corrente elétrica. Alternativas não cirúrgicas Embora a cirurgia seja a opção mais comum, outros tratamentos podem ser indicados, especialmente em casos onde a cirurgia não é viável: Radioterapia : utilizada para pacientes que não podem se submeter à cirurgia ou para tumores localizados em regiões delicadas. Terapia fotodinâmica : utiliza um agente fotossensibilizante e luz para destruir células cancerosas. Crioterapia : congela o tecido tumoral com nitrogênio líquido, indicado para lesões superficiais. Imunoterapia e Terapias Alvo : usadas para casos avançados de melanoma, estimulam o sistema imunológico ou bloqueiam vias específicas que favorecem o crescimento tumoral. Quimioterapia tópica : indicada para casos superficiais, com medicamentos como 5-fluorouracil (5-FU) e imiquimod. Prevenção do câncer de pele Para reduzir o risco de câncer de pele, é essencial evitar a exposição solar entre 10h e 16h, período em que a radiação ultravioleta é mais intensa. O uso de chapéus e óculos escuros pode auxiliar na proteção, mas a aplicação de filtro solar em quantidade adequada é a forma mais eficaz de prevenção. Uma recomendação útil é a regra da colher de chá: aplique uma colher do protetor na região do rosto, pescoço e colo e duas colheres nos braços, pernas e costas. O produto deve ser aplicado cerca de 30 minutos antes da exposição ao sol para melhor absorção e reaplicado a cada duas ou três horas, ou sempre após contato com água ou suor. O tratamento do câncer de pele é predominantemente cirúrgico, pois essa abordagem permite a remoção eficaz da lesão com menor risco de recorrência. No entanto, alternativas como radioterapia, terapia fotodinâmica e imunoterapia estão disponíveis para casos específicos. O diagnóstico precoce é essencial para garantir um tratamento eficaz e menos invasivo, reforçando a importância da prevenção e do acompanhamento dermatológico regular. Caso queira saber mais sobre como adquirir hábitos saudáveis é importante para o tratamento de câncer, agende uma consulta com o Dr. Hugo Hammoud . Whatsapp: (12) 99711-2332.
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